quinta-feira, 12 de março de 2009

Sobre a autora


Conheci Vânia Lopez nos idos de 2001, tímida, num atelier de pintura, tentava seus primeiros contatos com tintas e pincéis. Tentava também um reencontro consigo mesma. Insistia, como se tivesse a mais plena certeza que daqueles tímidos traços, algo exuberante brotaria de repente. E foi o que aconteceu, começou a caminhar seu lápis pelo papel, cada vez com mais liberdade, cada vez com mais segurança até emergirem figuras absolutamente surpreendentes, figuras masculinas e femininas, figuras humanas, formas lânguidas, atrevidas, sensuais, ingênuas e mais que tudo, inesperadamente humanas, surpreendentemente vivas como a alma de Vânia, que começou então a despertar de um sono, despertar para sempre e com toda a força dos que vêm revigorados depois das superações, depois da tempestade, junto com o sol. Vânia Lopez, essa moça de Minas que tem a arte transpirando pelos poros, já surpreendeu (inclusive a si mesma) com exposições de pintura contemporânea na cidade de Pouso Alegre. Revela-se também poeta, com um estilo forte, algumas vezes contundente, outras vezes com palavras delicadas mas convincentes .
A poesia de Vânia Lopez vai muito além de qualidades literárias, ultrapassa suas próprias vivências e de uma forma irresistível nos convida a partilhar com ela as nossas emoções. Essa obra, assim como suas pinturas, expõe sem pudor, mas com delicadeza, uma arte colorida e muito bem definida dentro da sua proposta de formas absolutas e concretas. Com certeza, é o retrato de uma alma guerreira, e talentosa. O leitor vai encontrar em cada poema uma surpresa, e muitas vezes, a surpresa será um espelho, refletindo sua própria imagem. Vânia, para escrever esse livro, se despiu de tudo que ela poderia ser, para ser todas pessoas, e isso faz de sua obra, um mágico deleite de encontros, do próprio leitor com a poesia aqui descrita. Despretensiosa e ao mesmo tempo de alcance profundo, sua visão e seus sentimentos sugerem uma longa viagem pelos caminhos do ser, do estar, do sentir, sem compromisso com fórmulas pré-concebidas, ela (Vânia, bem como sua poesia) passeia livremente entre palavras, textos, contextos que vão do cotidiano ao âmago de tudo o que pode ser um ser humano, e tudo o que ele pode não ser. Eu percebi nessa incrível artista, um estilo totalmente cristalino, como uma fonte nova que brota de nenhum lugar que não seja a própria artista, não vejo nenhuma influência que não sejam as suas próprias certezas e as suas mais profundas convicções, é isso que faz do livro uma coisa impressionante, porque além de não seguir estilos, não tem outra inspiração que não seja o dissecar da própria alma de quem escreve.. É como dezenas de janelas se brindam à luz, como se até mesmo os momentos escuros trouxessem a tona uma beleza ainda não vista, ainda não percebida. É esse o maior encanto de Vânia, é o seu olhar, um olhar inusitado, um olhar diagonal que atravessa estradas já percorridas e faz um caminho novo. Sinto-me realmente lisonjeada por participar desta única página, mas mais que isso, me sinto feliz pelo contato mágico com sua obra.

Maria Regina Muniz

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